A palavra luto vem do latim “lucto” que sugere um conjunto de reações a uma perda, isso por que ao longo de nossas vidas podemos lidar com muitas perdas tais como a perda do emprego, dos bens, da vida social, da idade, etc. Mas de todas as perdas, a perda no sentido da morte do ente querido pode provocar reações emocionais capaz de afetar a vida do ser humano de forma mais profunda. Segundo Freud (1916), o luto é a reação à perda de objeto ou pessoa. Para Cavalcanti (2013), este luto como uma perda de um elo significativo entre uma pessoa e seu objeto, é um fenômeno mental natural e constante que ocorre durante o desenvolvimento humano (CAVALCANTI, et al. 2013).
O luto é um processo lento e doloroso, que tem como características uma tristeza profunda, afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido, a perda de interesse no mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor (FREUD, 1915, apud, CAVALCANTI, et al, p. 89, 2013).
O luto como um processo
O luto não é uma doença, mas uma realidade as ser vivenciada pela pessoa. Reações como choro, revolta, tristeza e negação da perda, são comuns em muitos casos. A não aceitação da perda, ainda que seja um processo do luto, pode ser que em alguns casos possa prolongá-lo (TAVERNA & Souza, 2014). Seria esta umas das causas do luto se transformar em patológico? A depressão é também um dos processos do luto e que pode, por causa dos seus sintomas prolongar o luto. Para Parkes (2009) o luto pode ser definido como um conjunto de reações diante de uma perda. Para Rivera(2012) na melancolia a uma revolta do eu que não quer perder o objeto de apego.
Do luto a depressão
Segundo Kübler-Ross, no luto a depressão é vista como uma fase.
Nesta fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento em que acontece uma grande introspecção e necessidade de isolamento, aparece quando a pessoa começa a tomar consciência de sua debilidade física, já não consegue negar as condições em que se encontra atualmente, quando as perspectivas da perda são claramente sentidas. Evidentemente, trata-se de uma atitude evolutiva; negar não adiantou agredir e se revoltar também não, fazer barganhas não resolveu. Surge então um sentimento de grande perda (http://psychologicalkingdom.blogspot.com.br/2011/06/as-cinco-fases-do-luto.html).
Na experiência em tratamento psicoterápico em pacientes em processo de luto, percebe-se que em alguns casos o luto se prolonga devido à presença da depressão. Esses pacientes já tiveram histórico de depressão vividas em outros momentos e que por causa do luto, revivem novamente um quadro depressivo.
A depressão com um transtorno gera muitos prejuízos à pessoa. Para Lacerda (2009) “a depressão é uma enfermidade crônica de alto custo econômico”, “para ele pode acarretar incapacidade e prejuízo no funcionamento global do indivíduo, inclusive o suicídio” (LACERDA, p.27, 2009). Para Porto (1999) a depressão com característica melancólica é usada para designar os subtipos “endógeno”, “vital”, “biológico”, “somático” ou “endogenomorfo” de depressão (PORTO, p. 8. 1999). Para entender melhor e diagnosticar os sintomas depressivos, dispomos de duas referências importantes o DSM V – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais e o CID – 10 Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde.
A depressão com problema de saúde pública
Os gastos com terapias, consultas médicas, os prejuízos com os afastamento das atividades laborativas e o fato de ser uma doença muito frequente, transforma a depressão em um problema de saúde pública grave que precisa de uma atenção especial.
O estudo de caso é um importante instrumento de pesquisa. Para Ventura(2007): O estudo de caso tem origem na pesquisa médica e na pesquisa psicológica, com a análise de modo detalhado de um caso individual que explica a dinâmica e a patologia de uma doença dada. Com este procedimento se supõe que se pode adquirir conhecimento do fenômeno estudado a partir da exploração intensa de um único caso (VENTURA, p. 383, 2007).
Ainda para a autora, o estudo de caso deve ser bem delimitado e responder as questões que se referem ao “como” e ao “porquê” da investigação (VENTURA, 2007). Pelo estudo de caso, podemos levantar questões relacionadas ao luto em pacientes com tendência a depressão. Como isso acontece? Será que esse grupo é mais vulnerável a perda, por quê?
As formas de enfrentamento do luto pode variar, devido as muitas teorias no campo da psicologia. Todas podem ajudar a pessoa encontrar formas de enfrentar o luto e os sintomas da depressão. Para este projeto de pesquisa utilizaremos a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).
Uma proposta de enfrentamento
A TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) é um processo de tratamento que ajuda os pacientes a modificarem crenças e comportamentos que produzem certos estados de humor (POWELL, p. 75. 2008). Desta forma, ela pode ajudar a aliviar, controlar e até modificar as crenças que influenciam a visão que a pessoa tem do mundo e que são disfuncionais (POWELL, 2008).
Conclusão
O luto não é uma doença é uma fase ou um processo que precisa ser bem elaborado pela pessoa. Quando o luto começa a interferir na rotina, na saúde emocional da pessoa, recomenda-se que procura um profissional de psicologia para ajudar em melhor elaboração da perda.
Flávio JF
Psicólogo – CRP 05/46319
Performare Psicologia






